Prevenindo o déficit calórico | Unidos pela nutrição clínica

Prevenindo o déficit calórico

Como definir metas calóricas para pacientes da UTI

Riscos decorrentes do déficit

Without an adequate nutrition, a patient can develop a caloric deficit, worsening his/her overall outcome. Sem nutrição adequada, o paciente pode desenvolver um déficit calórico, agravando seu resultado global. If a caloric deficit is maintained over time, this can lead to severe malnutrition and impair the patient’s recovery. Se este déficit calórico não for tratado isso pode levar a desnutrição grave e prejudicar a recuperação do paciente.

Em pacientes da UTI que acumulam déficit calórico durante os primeiros dias da internação, é difícil compensar esses déficits posteriormente, o que pode comprometer o resultado.1,2As pesquisas mostram que em pacientes críticos com déficit calórico acumulado de aproximadamente 5.000 – 9.000 kcal na primeira semana de UTI ou >100 kcal/kg de peso/d, a incidência de infecções é mais alta.1,3,4 Além disso, déficits nutricionais precoces são associados ao aumento do uso de antibióticos, ventilação mecânica, internação na UTI e mortalidade.5,6,7
O aumento da mortalidade na UTI, por exemplo, foi observado em pacientes em ventilação mecânica com balanço negativo médio de energia acumulada de aproximadamente 3.550 (± 4.591) kcal.8
Portanto, para alcançar um suporte nutricional adequado, o manejo nutricional deve começar o quanto antes.

Segundo o Prof. Dr. Pierre Singer, Presidente da ESPEN e diretor do departamento geral de terapia intensiva do Rabin Medical Center, em Tel Aviv (Israel), muitos estudos observacionais mostram que grandes déficits calóricos conduzem a mais complicações.9 No entanto, ele traz à atenção o fato de que fornecer energia demais também pode gerar complicações. Assim, faz-se necessário ajustar o suporte energético de modo individual da melhor forma possível.

Estimativa dos requisitos energéticos
Atualmente, a calorimetria é o método preferido para estimar os requisitos energéticos de um paciente.10 Contudo, esse método não é sempre viável. Uma alternativa é estimar os requisitos com base na meta calórica do paciente usando a seguinte fórmula:10,11

  • < 20-25 kcal/Kg de peso corporal por dia durante a fase inicial aguda da condição crítica
  • 25-30 kcal/kg de peso corporal por dia na fase de recuperação / em pacientes estáveis

As necessidades energéticas individuais de um paciente também podem ser avaliadas pela medição direta do gasto energético em repouso (GER) ou por usar uma equação que calcula o GER, como a equação de Harris-Benedict:

 

Então, fatores de atividade ou trauma devem ser considerados no cálculo do aumento de requisitos energéticos devido a atividade física e estresse metabólico relacionado à doença subjacente:12

Por que o gasto energético aumenta em pacientes críticos
O GER é a quantidade de energia que uma pessoa necessita em condições fisiológicas normais durante as fases de repouso, como funções respiratória e cardíaca.  Em situações em que o corpo passa por estresse fisiológico, como em casos de cirurgia ou doença grave, os requisitos energéticos são diferenciados.13
Durante o período de inanição simples, o corpo conserva estoques de energia reduzindo o gasto energético.  O motivo disso é manter os processos fisiológicos normais em funcionamento até que a ingestão nutricional seja recuperada.  No entanto, durante o estresse fisiológico, o corpo reage de forma diferente. A resposta de estresse do organismo envolve diversas mudanças nos níveis hormonais, causando um aumento no GER e, consequentemente, gerando requisitos energéticos durante a condição crítica. Os pacientes em estado catabólico rapidamente consomem todos os estoques de nutrientes do corpo para assegurar um suprimento nutricional imediato, como glicose, para fornecer energia, elevar a temperatura corporal e induzir a febre para combater a infecção.13
Os estoques de proteína são ativados para se converter em proteínas essenciais.  Para evitar que a energia gerada pela proteína seja mal utilizada pelo organismo, tanto a glicose como a proteína devem ser fornecidas em conjunto ao paciente. A quebra de proteínas e a ausência da síntese proteica são dois motivos da perda muscular em pacientes críticos.14

Devido a esses processos, é importante que os pacientes críticos sejam alimentados adequadamente e que os déficits calóricos sejam evitados por meio do suprimento suficiente de calorias.  

 

  • 1. a. b. Villet S, Chiolero R, Bollmann M et al. Negative impact of hypocaloric feeding and energy balance on clinical outcome in ICU patients. Clin Nutr 2005;34:502-509.
  • 2. Singer P, Pichard C, Heidegger CP et al. Considering energy deficit in the intensive care unit. Curr Opin Clin Nutr Metab Care 2010;13(2):170-176. doi: 10.1097/MCO.0b013e3283357535.
  • 3. Dvir D, Cohen J, Singer P. Computerized energy balance and complications in critically ill patients: An observational study. Clin Nutr 2006;25:37-44.
  • 4. Faisy C, Candela Llerena M, Savalle M et al. Early ICU Energy Deficit Is a Risk Factor for Staphylococcus aureus Ventilator-Associated Pneumonia. Chest 2011;140(5):1254-1260. doi:10.1378/chest.11-1499.
  • 5. Alberda C, Gramlich L, Jones N et al. The relationship between nutritional intake and clinical outcomes in critically ill patients: results of an international multicenter observational study. Intensive Care Med 2009;35:1728–1737.
  • 6. Petros S, Horbach M, Seidel F et al. Hypocaloric vs Normocaloric Nutrition in Critically Ill Patients: A Prospective Randomized Pilot Trial. JPEN April 3, 2014.
  • 7. Rubinson L, Diette GB, Song X et al. Low caloric intake is associated with nosocomial bloodstream infections in patients in the medical intensive care unit. Crit Care Med 2004;32:350-357.
  • 8. Singer P, Anbar R, Cohen J et al. The tight calorie control study (TICACOS): a prospective, randomized, controlled pilot study of nutritional support in critically ill patients. Intensive Care Med 2011;37(4):601-609.
  • 9. Singer P. Clinical consequences of energy deficit in ICU. Retrieved from http://www.espen.org/education/electronic-video-library/pearls-of-knowle....
  • 10. Singer P, Hiesmayr M, Biolo G et al. Pragmatic approach to nutrition in the ICU: Expert opinion regarding which calorie protein target. Clin Nutr 2014 Apr;33(2):246-251.
  • 11. Kreymann KG, Berger MM, Deutz NE et al. ESPEN Guidelines on Enteral Nutrition: Intensive Care. Clin Nutr 2006;25(2):210-223
  • 12. Austrian Society of Clinical Nutrition (AKE). Recommendations for enteral and parenteral nutrition in adults. Vienna 2008.
  • 13. a. b. Fletcher J. Giving nutrition support to critically ill adults. Nursing Times 2015;111:12-16. Retrieved from http://www.nursingtimes.net/home/specialisms/nutrition/giving-nutrition-....
  • 14. Schefold JC et al. Intensive care unit-acquired weakness (ICUAW) and muscle wasting in critically ill patients with severe sepsis and septic shock. Journal of Cachexia, Sarcopenia and Muscle 2010;1(2):147-157.

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