Nutrição Enteral X Parenteral | Unidos pela nutrição clínica

Nutrição Enteral X Parenteral

Diferenciando Dois Tipos de Suporte de Nutrição Clínica

A escolha do suporte nutricional e da via de administração depende do estado clínico do paciente. A regra de ouro é: "se o intestino funciona, use-o." É importante notar que a nutrição parenteral total ou suplementar é indicada quando as necessidades nutricionais não são atendidas por alimentação oral ou enteral ou se a alimentação oral ou enteral for contraindicada.

Definição de Nutrição Enteral e Parenteral

A nutrição enteral (NE) inclui suplementos nutricionais orais (SNO) e alimentação enteral por meio de sonda nasogástrica, nasoenteral ou percutânea.1 A NE fornece nutrientes e energia para as células mucosas, estimulando o metabolismo da célula epitelial, fluxo de bile e secreções pancreáticas, bem como liberando hormônios gastrointestinais (GI) enterotróficos e elevando o fluxo sanguíneo da mucosa.2 Enquanto a nutrição parenteral (NP) fornece nutrientes, por meio de infusão intravenosa, diretamente na circulação sistêmica, contornando o trato gastrointestinal (GI).

Indicações para NE e NP

A Sociedade Americana de Terapia Intensiva (SCCM, na sigla em inglês), a Sociedade Europeia de Nutrição Clínica e Metabolismo (ESPEN, na sigla em inglês) e a Sociedade Americana de Nutrição Parenteral e Enteral (A.S.P.E.N., na sigla em inglês) recomendam que, se há evidência de desnutrição calórica proteica na internação e a NE não é viável, deve-se iniciar a NP assim que possível.3

A fim de evitar a desnutrição e os efeitos adversos relacionados, todos os pacientes de unidades de terapia intensiva (UTI) que não apresentam condições para uma dieta por via oral completa devem primeiro receber nutrição clínica, de preferência NE, dentro de 24 a 48 horas de internação. No entanto, a NE apenas geralmente não é suficiente para fornecer a quantidade de energia e proteína necessária.4 Isso pode resultar em déficits nutricionais que podem piorar os resultados clínicos.5 Nos casos de pacientes que recebem menos que a alimentação enteral alvejada, após dois ou três dias deve-se considerar a NP suplementar para preencher a lacuna calórica.4,6

Se a NE for contraindicada, a NP deve ser usada dentro de 24 a 48 horas.1

A NP é geralmente indicada para pacientes que não conseguem se alimentar de maneira adequada e/ou segura por via oral/enteral e/ou têm um trato gastrointestinal (GI) não funcional, inacessível ou perfurado.7,8

Para ler mais sobre como determinar a opção correta de suporte nutricional, clique aqui.

Se a Nutrição Enteral (NE) não for suficiente, a NP pode suprir as necessidades

Quais Nutrientes São Fornecidos por NP?

A terapia nutricional clínica por meio de NP fornece água e nutrientes essenciais como aminoácidos, carboidratos, lipídios e micronutrientes.

Esses nutrientes são infundidos em sua forma essencial:

  • Carboidratos: Infundidos como glicose para proporcionar energia rapidamente.
  • Proteínas: Presentes como aminoácidos que serão usados pelo corpo como constituintes primários dos músculos, além de ter um papel em reações bioquímicas e na resposta imunológica.
  • Lipídios: Representados por emulsões lipídicas contendo triglicerídeos. Servem como uma forma compacta para armazenar energia por causa de sua alta energia e baixo teor de água. Também fornecem ácidos graxos essenciais e constituem uma parte importante da estrutura das células.

Todos os três macronutrientes em quantidades certas fornecem suporte nutricional equilibrado e adequado para afetar positivamente os resultados clínicos, como taxas de infecção, tempo de internação hospitalar ou mortalidade.

O suporte nutricional não se restringe à administração exclusiva de NE e NP, mas a NP e a NE podem se complementar, por exemplo, com o uso de NP mais alimentação enteral “trófica” mínima ou NE mais NP suplementar.

  • 1. a. b. Kreymann KG, Berger MM, Deutz NE et al. ESPEN Guidelines on Enteral Nutrition: intensive care. Clinical Nutrition 2006;25(2):210–223.
  • 2. Druml W. Clinical strategies for prevention of bacterial translocation. Em: Herbert MK, editor. Problems of the gastrointestinal tract in anesthesia. Springer Verlag 1999:118-126.
  • 3. Gramlich L, Kichian K, Pinilla J et al. Does enteral nutrition compared to parenteral nutrition result in better outcomes in critically ill adult patients? A systematic review of the literature. Nutrition 2004;20:843–848.
  • 4. a. b. Heidegger CP, Berger MM, Graf S et al. Optimisation of energy provision with supplemental parenteral nutrition in critically ill patients: a randomised controlled clinical  trial. Lancet 2013;381(9864):385-393.
  • 5. Thibault R, Heidegger CP, Berger MM et al. Parenteral nutrition in the intensive care unit: cautious use improves outcome. Swiss Med Wkly 2014;144:w13997.
  • 6. Singer P, Berger MM, Van den Berghe G et al. ESPEN Guidelines on Parenteral Nutrition: intensive care. Clin Nutr 2009;28(4):387-400.
  • 7. National Collaborating Centre for Acute Care (UK). Nutrition Support for Adults Oral Nutrition Support, Enteral Tube Feeding and Parenteral Nutrition. NICE Clinical Guidelines, No. 32 Londres 2006.
  • 8. Rothaermel S, Bischoff SC, Bockenheimer-Lucius G et al. Ethical and legal points of view in parenteral nutrition - guidelines on parenteral nutrition Capítulo 12. Ger Med Sci 2009;7:Doc16.

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