Boa Prática Nutricional | Unidos pela nutrição clínica

Boa Prática Nutricional

Passos Práticos para Melhorar o Estado Nutricional dos Pacientes

A boa prática nutricional é uma parte crucial da gestão de pacientes. Ao seguir quatro passos práticos, os profissionais da área da saúde podem garantir que os pacientes recebam uma nutrição adequada no momento correto. A identificação, avaliação, intervenção e monitoramento do risco nutricional ajudam na detecção precoce e gestão nutricional adequada de pacientes que sofrem e desnutrição relacionada a doença ou estão em risco de desnutrição.

Essas práticas foram desenvolvidas por profissionais experientes e especialistas clínicos sobre os atuais conhecimentos científicos. Elas são destinadas para a prática diária e são rápidas e fáceis de serem aplicadas.
 

  1. Identificação de Risco Nutricional: O Primeiro Passo no Combate à Desnutrição Relacionada a doença

A identificação precisa é o passo inicial de uma boa prática nutricional. A avaliação deve ser realizada em 24 horas após a internação para que a terapia nutricional possa ser definida e iniciada imediatamente.

A avaliação de risco nutricional deve ser feita com um método recomendado que analisa o peso em relação à altura (IMC), perda de peso, apetite e ingestão alimentar. A Avaliação de Risco Nutricional 2002 (NRS 2002) é uma das ferramentas de avaliação mais amplamente validadas para o ambiente hospitalar, com base em 128 estudos, e é recomendada pelas Diretrizes para Avaliação Nutricional de 2002 da Sociedade Europeia de Nutrição Clínica e Metabolismo (ESPEN).1 O NRS 2002 é uma das ferramentas de avaliação mais validadas para o ambiente hospitalar com base em 128 estudos, com um processo rápido e simples que pode ser feito de forma não invasiva e rotineira por qualquer profissional de saúde em menos de cinco minutos.

Alternativamente, a Avaliação Global Subjetiva (AGS) pode ser usada para avaliação de pacientes. A AGS é um método nutricional não invasivo que se provou altamente preditivo de complicações associadas a nutrição.2 Esse método considera não só alterações na composição corporal, mas também mudanças na função fisiológica.3,4,5 A AGS pode ser usada para uma análise mais aprofundada como um método de avaliação.
 

  1. Avaliação Nutricional: Uma Avaliação Aprofundada das Causas de Nutrição Relacionada a Doença

Se uma avaliação de risco nutricional inicial mostrou indicações de um risco de desnutrição, é realizada uma avaliação mais aprofundada. Uma avaliação nutricional é crucial para a plena compreensão das condições do paciente. A avaliação deve analisar as causas da desnutrição relacionada a doença e os fatores de risco de deficiência de nutrição e fluido.

Parâmetros relevantes incluem fatores de risco relacionados a doença e tratamento como náusea, desidratação, diarreia, infecções agudas; fatores de risco social e psicossocial como depressão e isolamento social; e fatores de risco relacionados à doença, como alergias, aspectos antropométricos e dietas restritivas. Dados bioquímicos que são objetivos e prontamente disponibilizados também são meios úteis de avaliar o estado nutricional.

A avaliação deve ser realizada por um especialista em nutrição (por exemplo, um nutricionista, um médico com conhecimento em nutrição, ou um enfermeiro especialista em nutrição) ou por uma equipe de suporte nutricional.
 

  1. Plano de Terapia Nutricional: Melhorando o Estado Nutricional do Paciente

A finalidade principal de uma terapia nutricional é estabilizar ou aumentar o peso do paciente e melhorar o seu estado nutricional. O objetivo é fornecer energia, proteínas, micronutrientes e fluido suficientes para atender às necessidades do paciente.6 Outros objetivos da terapia nutricional incluem a manutenção da função imunológica e prevenção de complicações metabólicas.7

O desenvolvimento de um plano de terapia nutricional por um médico ou nutricionista devem seguir as seguintes etapas:

  • Definir as metas nutricionais do paciente
  • Definir as necessidades nutricionais do paciente
  • Definir o suporte nutricional e implementar um plano de terapia nutricional
  • Definir a(s) via(s) de nutrição
     
  1. Monitoramento da Terapia Nutricional: Manter os Pacientes em Boa Condição

O monitoramento é uma parte integral do processo de gestão nutricional que requer documentação e controles rigorosos para estimativa da eficiência da terapia.  O quadro de cada paciente deve ser monitorado com mensurações e observações definidas, como registro da alimentação e ingestão de fluidos, peso e função corporal e, quando apropriado, parâmetros sanguíneos. Durante o curso da condição do paciente, esses resultados de monitoramento podem levar a adaptações do plano de terapia nutricional. Nesse caso, médicos, enfermeiros e nutricionistas estão envolvidos.

Boa Prática Nutricional Faz uma Diferença

Siga as quatro etapas de gestão nutricional para melhorar os resultados clínicos, como:7

  • Reconhecimento e intervenção precoce na terapia nutricional
  • Menos complicações
  • Menos infecções
  • Melhora da cicatrização de feridas
  • Redução do tempo de internação
  • Mobilização e convalescência mais rápida
  • Menos reinternações
  • Melhores taxas de sobrevivência
  • Melhor qualidade de vida
  • Prevenção de custos futuros e restrições de serviços de saúde

 

  • 1. Kondrup J, Rasmussen HH, Hamberg O et al. Nutritional risk screening (NRS 2002):  a new method based on an analysis of controlled clinical trials. Clin Nutr 2003;22(3):321-336.
  • 2. Sheean PM, Peterson SJ, Gurka DP et al. Nutrition assessment: the reproducibility of subjective global assessment in patients requiring mechanical ventilation. Eur J Clin Nutr 2010;64(11):1358-1364.
  • 3. Nenhum autor listado. Identifying patients at risk: ADA's definitions for nutrition screening and nutrition assessment. Council on Practice (COP) Quality Management Committee. J Am Diet Assoc 1994;94:838-839.
  • 4. Thomas B, Bishop J (Eds). Manual of Dietetic Practice 4th ed. Oxford: Wiley Blackwell 2007.
  • 5. Barker LA, Gout BS, Crowe TC. Hospital malnutrition: prevalence, identification and impact on patients and the healthcare system. Int J Environ Res Public Health 2011;8(2):514-527.
  • 6. National Collaborating Centre for Acute Care (UK). Nutrition Support for Adults Oral Nutrition Support, Enteral Tube Feeding and Parenteral Nutrition. NICE Clinical Guidelines, No. 32 Londres 2006.
  • 7. a. b. Cereda E, Pedrolli C. A.S.P.E.N. recommendations for enteral nutrition: practice is the result of potential benefits, harms, clinical judgment, and ethical issues. JPEN 2010;34(1):103.

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